quarta-feira, 13 de março de 2013

Simplifica-se...

Incomoda-o ver dois homens beijarem-se? E se um deles for seu irmão? Estes são exemplos de perguntas do teste "Really Open", do Ministério da Justiça de Quebec, no Canadá.

Encontrei-o por acaso enquanto surfava pelas ondas da Internet e acho que é bastante interessante a forma como podemos colocar o tema LGBT em cima da mesa de uma forma tão simples e clara.

Através deste inquérito online são colocadas algumas questões relacionadas com situações de preconceito contra gays, lésbicas, bissexuais e transexuais de forma a avaliar o comportamento do utilizador.

Realize o inquérito aqui, vale a pena.

Boa noite

segunda-feira, 4 de março de 2013

À conversa com... Rafael Eusébio




Rafael apresenta-se com um sorriso na cara revelador da sua forte personalidade. A sua boa disposição é realmente contagiante, mas, com certeza, há algo capaz de o deixar menos confiante de si próprio. 

 

“É de facto fascinante como um único ser humano se pode sentir atraído pelos dois sexos!

 

Rafael dos Santos Eusébio
Com apenas 15 anos Rafael Eusébio já se mostra apaixonado pela moda e pelo estilo que ele próprio gosta de criar, sempre inspirado “numa mulher que representa toda a comunidade de pessoas que adotaram o estilo Vintage, Lana del Rey”.

Este jovem assume-se publicamente como bissexual, independentemente de qualquer tipo de discriminação ou represálias que possa vir a sofrer tanto na sua vida pessoal como escolar. Começou a identificar-se com esta orientação quando começou a “socializar, através da rede social Facebook, com pessoas que possuíam orientações sexuais não heterossexuais” sendo que foi essencialmente graças a estas que ultrapassou a tarefa de se auto-assumir como tal. Rafael afirma que “foi muito importante para mim contactar com essas pessoas para perceber o pequeno grande mundo em que agora habito, perceber os perigos eminentes que corro”. Hoje em dia já se encontra no “mundo bissexual”, sendo que já teve envolvimentos com pessoas do mesmo sexo.

O adolescente procurou apoio numa prima mais velha que o ajudou a revelar-se à sua mãe, “uma tarefa muito dolorosa” que é hoje recompensada pelas conversas sem tabus que pode manter no ambiente familiar. No que toca aos amigos, todos receberam a notícia com alegria e apenas uma coisa mudou, “ganharam um respeito enorme por mim visto que para eles agora sou um exemplo de coragem e carácter”.

Neste momento, o jovem sente que a sociedade não o encara como o Rafael mas sim “o bissexual, a pessoa diferente, o rapaz que tanto beija rapazes como raparigas”. No entanto, “ser eu próprio é sentir uma liberdade dentro de nós que outrora sentira, é poder falar sem me preocupar com a opinião dos outros, é ser feliz à minha maneira e com as pessoas que gosto” mesmo que para isso seja preciso criar uma espécie de barreira entre si e o mundo. 

No registo escolar, Rafael assume que sofreu e sofre continuamente “bullying psicológico e verbal”. Apesar de difícil, “sigo em frente e não ligo, mas no fundo fico triste e revoltado”. Felizmente o jovem foi criando um núcleo unido de amigos que o defendem e ajudam diariamente a ultrapassar esta situação que a direção da Escola não consegue resolver. 

Para todos aqueles que passam por situações de bullying, “nunca se rebaixem em frente às pessoas que vos fazem passar por tudo isso” pois isso leva a que quem o pratica agrave e continue com a violência. Há pessoas que se mutilam como forma de ultrapassar a dor que sentem, Rafael já o fez e afirma que “não ajuda em nada, apenas leva a que se lembrem de tudo o que se passou ao olharem para as cicatrizes que nunca vão sair do corpo”.

A conversa avança para um tema polémico, o casamento homossexual, recentemente aprovado em Portugal. “O casamento é um dos acontecimentos que deve ser lembrado para sempre, seja homossexual ou heterossexual”. Rafael defende que todos os seres humanos têm direito a ser felizes ao lado da pessoa que amam pois “na prática os homossexuais e bissexuais são pessoas como todas as outras”. 

A adopção homoparental “como tudo na vida tem um lado negativo” uma vez que a criança poderá vir a sofrer de algum tipo de discriminação por ter dois pais ou duas mães. No entanto, “um pai ou uma mãe não é apenas o que gera um filho, mas também quem o educa, lhe dá amor e carinho”.
À comunidade LGBT Rafael deixa a mensagem de que “tudo vai melhorar, sejam vocês mesmos e não tenham vergonha do que são. Mostrem aquilo que de bom há em vocês, só isso é um grande passo para o sucesso”. 

Ser "diferente"



Cores da Bandeira que identifica a comunidade LGBT
Assumir a homossexualidade e a bissexualidade raramente é uma tarefa fácil. A sociedade parte do princípio que todos os seres humanos são heterossexuais mas essa não é a realidade. Talvez isto se deva em parte ao facto da religião incutir nos seres humanos a ideia de que Deus criou o homem e a mulher para que estes se unem e formem uma família. Esta ideia foi transmitida de geração em geração e hoje é ainda reduzido o número de pessoas que aceitam orientações sexuais não heterossexuais.

No entanto são cada vez mais as pessoas que mostram sem qualquer tipo de tabus o seu verdadeiro “eu”. Isto pode trazer, contudo, alguns problemas tanto a nível pessoal como profissional. A família e amigos podem reagir de forma menos positiva sendo que há casos de pessoas que são expulsas das suas casas e, em casos mais extremos, pessoas que não aguentam a pressão e cometem suicídio. Profissionalmente verificam-se casos de pessoas que não são aceites em empregos devido à sua orientação sexual.

Pessoalmente penso que pessoas com orientações sexuais ditas “diferentes” são exactamente iguais às heterossexuais. A orientação sexual não define nem nunca definirá o carácter das pessoas, define simplesmente a atracão por determinadas pessoas.

Por fim quero salientar que a homossexualidade não é, ao contrário do que muitos pensam, uma doença mas sim algo que nasce com a pessoa tal como ser destro ou esquerdino.

Para uma ajuda mais pormenorizada e profissional aconselho esta página.