Rafael apresenta-se com um sorriso na cara revelador da sua
forte personalidade. A sua boa disposição é realmente contagiante, mas, com
certeza, há algo capaz de o deixar menos confiante de si próprio.
“É de facto fascinante como um único ser humano se pode sentir atraído pelos dois sexos!”
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| Rafael dos Santos Eusébio |
Com apenas 15 anos Rafael Eusébio já se mostra apaixonado
pela moda e pelo estilo que ele próprio gosta de criar, sempre inspirado “numa mulher
que representa toda a comunidade de pessoas que adotaram o estilo Vintage, Lana del Rey”.
Este jovem assume-se publicamente como bissexual,
independentemente de qualquer tipo de discriminação ou represálias que possa
vir a sofrer tanto na sua vida pessoal como escolar. Começou a identificar-se
com esta orientação quando começou a “socializar, através da rede social Facebook, com pessoas que possuíam
orientações sexuais não heterossexuais” sendo que foi essencialmente graças a
estas que ultrapassou a tarefa de se auto-assumir como tal. Rafael
afirma que “foi muito importante para mim contactar com essas pessoas para
perceber o pequeno grande mundo em que agora habito, perceber os perigos
eminentes que corro”. Hoje em dia já se encontra no “mundo bissexual”, sendo
que já teve envolvimentos com pessoas do mesmo sexo.
O adolescente procurou apoio numa prima mais velha que o
ajudou a revelar-se à sua mãe, “uma tarefa muito dolorosa” que é hoje
recompensada pelas conversas sem tabus
que pode manter no ambiente familiar. No que toca aos amigos, todos receberam a
notícia com alegria e apenas uma coisa mudou, “ganharam um respeito enorme por
mim visto que para eles agora sou um exemplo de coragem e carácter”.
Neste momento, o jovem sente que a sociedade não o encara
como o Rafael mas sim “o bissexual, a pessoa diferente, o rapaz que tanto
beija rapazes como raparigas”. No entanto, “ser eu próprio é sentir uma liberdade
dentro de nós que outrora sentira, é poder falar sem me preocupar com a opinião
dos outros, é ser feliz à minha maneira e com as pessoas que gosto” mesmo que
para isso seja preciso criar uma espécie de barreira entre si e o mundo.
No registo escolar, Rafael assume que sofreu e sofre continuamente
“bullying psicológico e verbal”.
Apesar de difícil, “sigo em frente e não ligo, mas no fundo fico triste e
revoltado”. Felizmente o jovem foi criando um núcleo unido de amigos que o
defendem e ajudam diariamente a ultrapassar esta situação que a direção da Escola
não consegue resolver.
Para todos aqueles que passam por situações de bullying, “nunca se rebaixem em frente
às pessoas que vos fazem passar por tudo isso” pois isso leva a que quem
o pratica agrave e continue com a violência. Há pessoas que se mutilam
como forma de ultrapassar a dor que sentem, Rafael já o fez e afirma que “não
ajuda em nada, apenas leva a que se lembrem de tudo o que se passou ao olharem
para as cicatrizes que nunca vão sair do corpo”.
A conversa avança para um tema polémico, o casamento
homossexual, recentemente aprovado em Portugal. “O casamento é um dos
acontecimentos que deve ser lembrado para sempre, seja homossexual ou heterossexual”.
Rafael defende que todos os seres humanos têm direito a ser felizes ao lado da
pessoa que amam pois “na prática os homossexuais e bissexuais são pessoas como
todas as outras”.
A adopção homoparental “como tudo na vida tem um lado
negativo” uma vez que a criança poderá vir a sofrer de algum tipo de
discriminação por ter dois pais ou duas mães. No entanto, “um pai ou uma mãe
não é apenas o que gera um filho, mas também quem o educa, lhe dá amor e
carinho”.
À comunidade LGBT Rafael deixa a mensagem de que “tudo vai
melhorar, sejam vocês mesmos e não tenham vergonha do que são. Mostrem aquilo
que de bom há em vocês, só isso é um grande passo para o sucesso”.